O DIA EM QUE CONHECI A MENINA SUPER PODEROSA

Nada a ver com o desenho, mas até que poderia ser...

Essa semana fui a São Paulo de ônibus. Já tinha tomado um chá de cadeira na rodoviária que me fez arrepender de ter deixado o carro em casa. Assim que entrei no ônibus, antes de sentar, fiquei pensando no chá de poltrona que me esperava na uma hora de viagem que se seguiria. Mas para a minha felicidade sentou ao meu lado uma bela menininha de cabelos claros, com grande e vivos olhinhos azuis, uns vinte rabinhos coloridos espalhados pela cabeça, sorridente e muito falante. Nos cumprimentamos e nos simpatizamos de imediato, em poucos segundos fomos puxando papo uma com a outra. Entrar no universo infantil seria um passatempo divertido.

A pequena Ana Clara se expressava muito bem, aliás muito melhor do que muito adulto que conheço... . Me contou que tinha cinco anos, que morava na casa numero tal, na rua tal, no bairro tal, que estudava e que ainda estava no pré (ela falou do pré com um ar de sem importância, como se o pré não tivesse muito valor). Falou que adorava viajar, e que assim como eu, estava indo pra São Paulo na companhia da sua mãe, que estava num banco a frente do nosso. Que aos cinco anos já tinha três sobrinhos, todos mais novos que ela e que um deles a chamava de tia. Contava dos sobrinhos como gente grande, com orgulho em tê-los.

Não sei porque começamos a falar de música. Perguntei qual era o seu cantor preferido, ou a música que ela mais gostava, e a pequena me respondeu prontamente:

- Cartola! Eu adoro o Cartola!

Silêncio... Não consegui ter reação. Como assim "Cartola"? Pensei. Eu que esperava um Sandy e Junior, Felipe Dilon, até um Charlie Brown era aceitável, mas Cartola me deixou sem palavras. Nem eu conheço direito o Cartola! Não podia ser. Aí ela continuou falando que gostava da música da borboletinha e etc... como se nada tivesse acontecido. Aí entendi. Ela provavelmente queria dizer que gostava da música da cartola, cartola de mágico, sei lá, como gostava da música da borboletinha. Aí sim, me conformei e consegui prosseguir a conversa. Achei engraçado uma hora que ela disse que iria me contar uma história que eu adoraria escutar, mas desistiu antes de começar alegando que a história era tão grande que passaria de São Paulo, e como não conseguiria concluir era melhor nem começar, e não tocou mais no assunto. Pasmen parte dois.

Depois dessa segunda vez que ela me deixou sem palavras, falamos sobre coisas comuns, sobre a lua, as estrelas, as três marias, ela me mostrou os cartões artesanais que sua mãe faz, não omitindo que as vezes ela erra nos cartões, mas logo conserta ou consegue vendê-los. Realmente os cartões eram muito bonitos, feitos de grãos, areia e tecido, e me mostrou quais eram os seus favoritos. Uma hora acendeu a luz pra me mostrar que legal que estava o seu cabelo (como se eu não tivesse notado) cheio de chuquinhas coloridas que tinham sido feitas por uma amiga da sua mãe. E eu cada vez mais encantada com a inteligência e a doçura daquela pequena mocinha. Até que entramos no assunto de animais, afinal toda criança gosta de animais. Falei que gostava de cachorro, e que não tinha um por morar em apartamento. Aí ela me contou assim:

- Eu gosto muito de cachorro, já tive um, mas morreu. Tenho dois gatos que ficam no sítio.

- Qual o nome deles? - perguntei

- Miró e Tarsila. Tarsila do Amaral. Você sabia que Miró e Tarsila foram pintores?

- !!!!!!!!!(pásmem parte três) Sabia sim. Gostei dos nomes.

Fiquei sem palavras mais uma vez. Muita cultura para um espaço tão pequeno! rs... Quase chegando em São Paulo, ela me falou que gostava de cantar e que cantou uma música no teatro da escola. Pedi para que ela cantasse um pouquinho pra eu saber se conhecia a música. Ela se recusou, dizendo que não estava com vontade porque a música era muito longa. Tudo bem, eu respeitei e fiquei em silêncio. Mas o silêncio foi quebrado em menos de cinco segundos, quando ela se virou pra mim e disse empolgadamente que se eu quisesse poderia cantar outra música, uma do Cartola que também era longa, mas que ela adorava. Respondi que adoraria, e para matar a minha curiosidade, ela não demorou, se ajeitou na cadeira, olhou para o horizonte e concentradíssima começou:

- Alvorada lá no morro que beleza
  Ninguém chora, não há tristeza
  Ninguém sente dissaborrrrrrrrrrrrrr
  O sol colorindo
  É tão lindo, é tão lindo
  E a natureza sorrindo tingindo tingindo
  Você também me lembra a alvorada
  Quando chega iluminando
  Meus caminhos tão sem vida
  E o que me resta é bem pouco
  Quase nada de que ir assim
  Vagando numa estrada perdida
  Alvorada .....

- A segunda parte é igual a primeira, você quer que eu repita?

- Quero sim.

E ela cantou novamente, enfatizando muito o "r" do dissabor, deduzo que seja como o próprio cantava. Ao final disse sorrindo e muito satisfeita que essa era a música que ela mais gostava do Cartola. E eu que só conhecia As Rosas não falam e O mundo é um moínho, agora conheci "Alvorada" pela doce voz de uma criança de cinco anos.

Infelizmente chegamos a São Paulo. Nos despedimos. Saí do ônibus sem acreditar naquela uma hora de viagem,  inesquecível.

Uma das coisas que concluí é que se a menina super poderosa existe, ela atende pelo nome de Ana Clara.



 Escrito por Vívian às 10h31 PM
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BOA NOTÍCIA

Como hoje em especial foi um dia de boas notícias pra mim, vou compartilhar uma.

A festa das crianças que eu comentei em post anterior não vai acontecer agora em dezembro. Mas acalmem, porque graças a Deus o motivo é ótimo: as criançãs estão tendo festa toda semana neste mês!! Quando a assitente social me deu a notíca, meio sem jeito, ela não imaginou como me deixou muito feliz, porque não importa quem seja, o importante é que alegria e carinho estão chegando a essas crianças!! E também que a cada dia mais pessoas estão abrindo a visão para essa questão.

É por isso que eu acredito nas pessoas!

Mas não acredito em acaso. E isso me fez refletir, no quanto essas crianças são carentes o ano todo, não só no Natal. Então a partir de janeiro vamos arregaçar as mangas e agitar um evento diferente e totalmente fora de época. Não por necessidade, mas por vontade e prazer em ajudar.

Então, a festa não acabou!!! Ainda conto com vocês.

Bjs,



 Escrito por Vívian às 11h26 PM
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TUDO AQUI QUER ME REVELAR...

Simplesmente M A R A VI L H O S O !

Ainda estou sem palavras para descrever o último show da turne Sortimento da Zélia Duncan. Além de ter uma voz indiscutivelmente perfeita, há uma interpretação em cada frase cantada, como se recitasse um poema, dando assim um sentido exato para cada letra e canção através de uma interação constante e uma troca de energia com a platéia, que já na terceira música bate uma tristezinha por saber que dalí a pouco mais de uma hora o show chegará ao final.

Tudo foi ótimo, até a persistente chuva foi homenageada ("espero a chuva cair..."), mas o engraçado foi o depois do show. Eu, já sabendo que ela receberia os fãs no camarim, fiquei esperando com a Prí, Ambra, Marcelo (um querido amigo) e Ederson, amigo do Marcelo ( e agora nosso amigo!). Os dois também admiradores do trabalho da Zélia. Ficamos os cinco, molhados mas ainda vivos, aguardando a nossa vez de entrar. Foi quando vimos um "fuá", também conhcido como "barraco" ou escandalo. Uma doida de aproximadamente 40 anos, discutia com os seguranças sem parar e em um tom alto e agressivo. Gesticulava e mostrava insistentemente uma carteirinha, dizendo-se fazer parte da imprensa. A coordenadora do local, foi até muito educada em falar que estavam recebendo a imprensa, mas apenas os jornalistas que haviam agendado, devido a regras e organização do local. Mas quanto mais a moça explicava, mas a doida surtava. Nós acidentalmente estávamos perto dela, e como odeio barracos, perguntei o que estava ocorrendo e disse para ela que aguardasse, porque ela entraria de qualquer forma mesmo, e já lá dentro, poderia tentar uma rápida entrevista. Depois de dois minutos de conversa, não é que a doida acabou confessando que queria entar com a imprensa para que um amigo dela ( que realmente era da imprensa) tirasse uma foto. Tudo aquilo por causa de uma foto! E para o bem da nação, paz local, e na tentativa que ela ficasse quieta, eu disse que tiraria a foto pra ela e depois enviaria por e-mail. Ai, que besteira eu fui fazer!! Euzinha, na prática da minha boa ação do dia, não imaginaria que a mulher fosse puxar papo comigo e falar pra todo mundo que me conhecia. E pior, mesmo assim ela continuava falando alto, falando que conhecia todo mundo, e inventando altas histórias. Na hora juntei as meninas e procurei me afastar, porque a doida ia queimar o nosso filme. Mas não adiantou. Naquela hora a Zélia estava recebendo algumas pessoas do Rio que faziam parte do seu fã clube acredito, e eu caí na besteira de brincar falando que eu ia criar um fã clube também pra entrar primeiro. A mulher escutou, levou a sério e saiu gritando que eu, as meninas e ela, éramos do fã clube, pode???. A minha vontade era de mandar a mulher pra sessão de descarrego da Universal, porque aquilo que se passava com ela não era normal, só podia ser um escosto. Enquanto isso eu já estava vendo a hora em que colocariam a gente pra fora por causa daquela maluca, foi quando chamaram cinco pessoas pra entar. Nós cinco. Aí que doida endoideceu mesmo, quando viu que ia ficar de fora, e fez de tudo pra entrar com a gente. E conseguiu. Tirei fotos de todos com a Zélia. Juro por Deus que não foi sacanagem, mas na hora em que fui bater a foto da descontrolada com a Zélia a máquina simplesmente travou. Eu desesperei. Tirei o cartão de memória, coloquei de novo, deletei três fotos, pensando que fosse espaço, e nada. A máquina simplesmente se recusou a tirar foto da maluca. Ela ficou tão desesperada que pediu pra uma menininha de uns oito anos que estava com máquina, para bater a foto, e a menininha olhou pra ela, pra máquinha, e falou de um jeito totalmente mentiroso, "acabei de bater a última". Quando saí do camarim, o pessoal estava passando mal de tanto rir, pensando que eu tinha sacaneado com a mulher. E o pior que realmente tinha sido a máquina.

Acredito ter ganho uma inimiga naquela noite. Mesmo não sendo a própósito, confesso que foi cômico, ou castigo mesmo. Mas me fez acreditar ainda mais na força do pensamento. Ela deve ter me xingado tanto depois disso, que quando cheguei em São José meu pneu furou as duas da manhã numa avenida deserta, com três mocinhas que não sabiam nem onde ficava o estepe. Ah, a chuva ainda caia, mas bem diferente da poética chuva do show.

Então amigos, recorde do conselho de seus pais: NUNCA FALE COM ESTRANHOS! rs... .

Bjs



 Escrito por Vívian às 12h42 AM
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